sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dos triunfos...

Fernanda no país das Maravilhas

Vivo no mundo de Alice.
Incansavelmente corro atrás de um coelho branco que de mim corre, que de mim foge.

Sem saber até quando e por que essa busca, essa procura... persisto.

Um triunfo distante de minha alma sem propósito...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Livreiro

Descobri uma maravilha. Dizem por aí que a Internet será o fim definitivo dos livros. Ledo engano.

Lendo a Revista da Cultura do mês de outubro, que peguei durante mais uma peregrinação por uma das mais fascinantes livrarias do país, encontrei uma matéria entitulada "A leitura do próximo" de Rachel Costa. Ali, foi apresentada uma nova rede social feita para amantes da leitura. Ainda em fase experimental, 'O Livreiro' é um site onde podemos encontrar pessoas com os mesmos gostos literários, montar nossa estante virtual de livros, emprestar, trocar e comprar obras. Um mundo divertido e educativo que também servirá como uma grande ferramenta de incentivo à leitura.

Nem acabei de ler a matéria e me cadastrei no site. Estou agora montando minha estante de livros, puxando pela memória as centenas de livros e autores que descobri ao longo de minha vida. Está valendo a pena!!!

A partir de agora meu tempo em redes sociais vai aumentar. Além de orkut, MSN, Twitter, Facebook, My Space e o blog, também me dedicarei ao livreiro!!! Te encontro lá. Até mais!!!

www.olivreiro.com.br

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Palavras soltas no ar, presas em meu pensamento!!!

Estou construindo um poema. Como é difícil achar as palavras. Acredito que na verdade as palavras é quem devem nos encontrar.
Grandes poetas da humanidade, demoravam muitas vezes anos para terminar uma poesia. Às vezes nem chegavam a termina-la, pois a morte chegava antes da palavra...
As vezes elas nos fogem quando precisamos primordialmente dizer alguma coisa a alguem. E nessas horas,bem nessas horas elas desaparecem. De vez enquando as palavras se escondem!
As palavras tem poder, e são conscientes desse poder, por isso fazem de nós o que bem entendem.
Como jornalista dependo muito da palavra. As palavras são caprichosas e não se misturam com qualquer outra palavra. Se não estão em harmonia, as palavras brigam entre si e quem sofre são nossos ouvidos. As palavras não dizem. As palavras soam. Soam e cassoam de nós.
Continuo olhando para meu projeto de poesia, meu projeto inacabado.
Uma hora vou ter que deixa-lo, esteja como estiver. Herbert Vianna ja nos disse: É como na música. As músicas não são terminadas, as músicas são abandonadas, pois prontas jamais irão ficar!!!

sábado, 22 de agosto de 2009

Estou voltando...

O ser humano é naturalmente ativo. Meus últimos meses, considero, foram excessivamente ativos, me obrigando, entre outras coisas, abandonar o blog.

Neste tempo, de abril até agora, muita coisa aconteceu, na minha vida, no Brasil e no mundo!

Muitas histórias pro jornalismo desbravar!!

Estou voltando aos poucos... Agora além do orkut, msn e este blog, faço agora parte do twitter. Mais um ótimo meio para terinar a escrita jornalística! O melhor de tudo é que no twitter posso aprimorar o dom da edição. Os caractéres são pouquíssimos. Mas isso é ótimo!

Toda vez que sentir uma vontade incontrolável de escrever bastante... corro pra cá, em meu velho e querido blog. Estou definitivamente me transformando em uma pessoa cibernética!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Pará, terra de ninguém

O Brasil ainda sofre com os abusos do coronelismo no norte e nordeste do país, que apavoram a população e findam a vida de quem luta por justiça. O caso mais comentado dos últimos anos e que chocou o país, devido à brutalidade e desumanidade, foi o assassinato da missionária estadunidense Dorothy Stang, que voltou às páginas dos jornais esta semana, com a anulação do júri que inocentou o acusado de ser o mandante da execução da freira.

Como se estivéssemos vivendo no sistema pré-colonial de Capitanias Hereditárias, somos obrigados a nos submeter aos mandos e desmandos das famílias poderosas de políticos e fazendeiros que fazem parte da minoria da população que detém a maior parte das riquezas deste país.

Dando continuidade à triste saga de pessoas que lutam para por fim às gananciosas ações destes capitães donatários, que já fizeram vítimas como Chico Mendes e Irmã Dorothy, os missionários que protestam contra as ações de fazendeiros que incluem grilagem de terras, destruição de áreas ambientais, ameaças a moradores, atentados e homicídios, são pressionados a ficarem calados ou receberem como retribuição aos protestos, a morte.

A situação de estados como o Pará, onde a questão da violência é extremamente delicada, é agravada pelo descaso ou jogo de interesses do governo brasileiro. Se em estados como o Rio e São Paulo a violência assusta devido à bandidagem que mantém o grande mercado do tráfico de drogas, o Pará sofre com o prevalecimento do descaso e do medo causado pelo grande mercado do jogo de interesses e troca de favores entre as famílias de políticos e as famílias de latifundiários.

O caso da missionária Dorothy Stang, que causa tanta revolta cada vez que o assunto vem à tona, traz consigo o inconformismo de uma população cansada de tanta impunidade, quando quem senta no banco dos réus é alguém de influência, apto a comprar quem quer que seja. A impressão que nos é passada é que o adágio “todo mundo tem um preço” é mais que válida na falsa “Justiça” brasileira.

Esta semana, foi anulado o júri que absolveu o algoz de Irmã Dorothy, o fazendeiro paraense Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como Bida. Depois de ser preso e absolto, o acusado do assassinato da missionária voltou à cidade do crime em Anapu (Oeste do Pará), onde segundo a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e o Ministério Público Federal, negociou, durante os onze meses em que esteve em liberdade, a compra de lotes de terra de ex-assentados da região, pressionando os moradores e lhes fazendo ameaças. Como não se apresentou à polícia, Bida é tido como foragido.

Os parentes e amigos de Dorothy Stang comemoraram a decisão da justiça brasileira em reabrir o caso da missionária morta a queima roupa com seis tiros em 2005. A Justiça no Brasil, assim como a política, é uma piada, que zomba da dignidade do pobre, do cidadão, do povo. Com o caso de irmã Dorothy reaberto, vamos esperar se dessa vez o Pará e o Brasil irão realmente ver a esperança vencer o medo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Sobre Romeus e Julietas. Outra ótica

Em outra exposição, critiquei a repetição exaustiva de versões da obra de William Shakespeare no cinema.
Aconteceu nestes últimos dias em São Paulo a 32ª Mostra de cinema Internacional de São Paulo. Um dos filmes expostos, em pleno vão livre do MASP, na Avenida Paulista, foi Maré, nossa história de amor, uma adaptação contemporânea e brasileira de Romeu e Julieta na favela carioca da Maré.

Dirigido por Lucia Murat, o filme de 2007 que estreou nos cinemas em abril deste ano, conta a história de dois jovens que vivem em território ocupado por facções inimigas na favela e se apaixonam durante os ensaios de sua companhia de dança. Filme belíssimo que mostra de maneira diferente a favela carioca, linda fotografia e músicas maravilhosas. Fora o talento extraordinário de Vinícius D’ Black, protagonista da história e que agora deslanchou em sua carreira como cantor.

Maré, nossa história de amor, demonstra o potencial brasileiro para a produção de musicais e para a revelação de jovens talentos, caso de Vinícius. Assistir à Maré é um presente aos olhos e aos ouvidos. Tê-lo assistido em pleno vão livre do MASP, no meio da Avenida Paulista, coração da cidade que tanto amo, foi simplesmente divino. A Reprodutibilidade Técnica, no caso de Maré, vale a pena. A obra é fascinante. Tudo é a seu favor.
Apesar da previsibilidade da história, o que não é algo bom, os elementos secundários, como as coreografias, os rap's, funk's e contexto social transformam o filme em algo singular. O local de exibição onde tive a oportunidade de conferir o filme, colaborou muito para que Maré me cativasse.

Coisas do cinema. Coisas de São Paulo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Das utopias

**Feliz de mim que possuo utopias, pois o dia em que perdê-las já não terei motivos para viver**

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A nova virgem do Brasil.

Era só o que faltava. Depois que a Sandy se casou, a mídia não demorou para encontrar uma nova virgem para atormentar.

Deu no jornal: Daniele Hypólito confessa ser virgem, aos 24.

O mundo sofre da síndrome de Vênus, a virgem que veio do mar com sua virginal sensualidade.

Primeiro foi a Britney Spears. O Brasil, como adora copiar os seus amigos dos EUA, foi logo dando um jeito de arrumar sua donzela. Sandy foi a eleita e sua virgindade, explorada por todas as revistas de fofoca. A virgindade de Sandy foi durante anos, uma questão nacional.

Mas Sandy se casou. Duvido muito que ela mantivera a castidade, namorando Lucas Lima por todos esses anos, mas isso não é problema meu. O mais bizarro, entretanto é seu esposo ter passado a noite de núpcias atualizando seu blog. Pobre Sandy, se ela fosse mesmo virgem, deve ter ficado na vontade. Ou como escreveu José Simão na Folha de Domingo:

“O noivo passou a noite escrevendo no blog: ‘Foi uma noite incrível’. Devia ter escrito: ’Foi uma noite incrível, o pessoal do Buffet é dez!”

Deixem Daniele em paz. Desde que a virgindade passou a ser anormal, as decisões sobre as opções que se faz sobre a vida sexual, são razões para especulações e expectativas: Até quando...

Tenho medo do dia em que o chocolate vire pecado, eu saia na capa do jornal devorando uma barra com um título enorme dizendo: Fernanda Silvestre ainda come chocolate. Eu escolho comer ou não chocolate. Daniele escolhe se quer ou não ser virgem. Sei que o exemplo é absurdo, mas explorar a intimidade das pessoas dessa maneira, também é. A vida é feita de escolhas e cada um faz as suas, devendo apenas se preocupar com as suas.


P.S: Em compensação, para mim, Sandy será eternamente virgem, mesmo não correndo mais o risco de ser santificada.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Romeu e Julieta - 500 anos depois

Às vezes fico me perguntando se estou insensível demais nesses últimos tempos. Isto porque em rodinhas de amigas, sempre surge o assunto sobre filmes extra românticos em que elas afirmam derrubar rios de lágrimas. A mim já não comovem. O exemplo mais comentado é o filme “Um amor pra recordar”.

Não é possível que ainda existam pessoas que se comovam com filmes como esse. Vamos acordar para a realidade: iguais a “Um amor pra recordar”, existem milhões de outros filmes, que, em vão, tentam resgatar mais do mesmo da perfeita obra de Shakespeare, a mais bela história de amor de todos os tempos: Romeu e Julieta, escrito há quase meio milênio. Ou seja, há praticamente 500 anos a humanidade perdeu sua criatividade.

A história é sempre igual. Um colégio de adolescentes alienados americanos. Ele, o garoto popular, capitão do time de futebol, namorado da capitã das líderes de torcida. Detalhe, essa namorada é sempre loira, fútil e má. Ele um babaca com amigos babacas, que adoram humilhar o grupo dos CDF ’ s. Ela, a aluna exemplar, que faz parte do grupo de artes e do coral do colégio. Também pode fazer parte do grupo de teatro. É muito bonita, mas sua beleza está escondida por traz de seus óculos fundo de garrafa, seu cabelo mau tratado e suas roupas que parecem ter sido usadas por sua mãe. Aliás, essas mocinhas, quase nunca tem mãe, pois afinal, as órfãs tem mais facilidade para cair no gosto do público.

Eles estão na mesma sala, no último ano do colégio. Todo grupinho Dele ridiculariza o grupinho Dela. Ele sempre ganha os jogos do campeonato intercolegial. Ela, sempre ganha nota máxima no projeto de ciências. Porém algo é diferente neste ano para os dois: o baile de formatura. Para tirar “uma” com a pobre menina, Ele aposta com os amigos transformá-la na princesa do baile para depois humilhá-la no final. E a mágica se faz, a abóbora vira carruagem. Ele vem ‘mudado’ e gentil para salvá-la de toda a cafonice e anonimato.

Quando a vê transformada, linda, se apaixona de verdade. Os amigos ficam contra; a líder de torcida começa a tramar contra Ela e Ela então, para a tristeza de todos, descobre tudo e fica arrasada. Se o filme for bom mesmo, Ela ainda morre no final, para deixar Ele sem razões para viver, sem chão, sem ar. O espectador, neste momento chora, se desespera, puxa os cabelos, come pipoca misturada com chocolate, gritando: “-Como a vida é injusta meu Deus, eu não queria que ela morresse!!!!!!!” Este é o caso de “Um amor pra recordar”.

Durante esta descrição, creio que o leitor tenha se lembrado de pelo menos 15 filmes com esse mesmo enredo. Por isso afirmo mais uma vez que não podemos mais nos comover com este tipo de filme. É simplesmente Hollywood tirando sarro da nossa cara.

A versão brasileira atual desses filmes é Era uma vez, tanto aclamado por Arnaldo Jabor, defensor feroz do cinema nacional. Brasileiro ou estadunidense, a fórmula é a mesma. Romeu’s e Julieta’s piorados. Meu consolo são os besteiróis americanos que satirizam estes filmes. Uma das cenas mais hilárias é quando ELE chega à casa DELA e a vê pintando uma tela. ELE olha e diz:’- Nossa você tem mesmo talento para as artes!!’. Ela feliz responde: ”- É, eu ganhei uma bolsa de estudos em Yale. Esta é minha mãe. Ele diz: você é igualzinha a ela. Então a câmera mostra a tela e desenhada nela está uma bonequinha igual àquelas que desenhávamos quando estávamos na primeira série, o famoso bonequinho dos pauzinhos...

Lembro então de um professor que tive no primeiro semestre de faculdade, que sempre dizia que no cinema, assim como na TV e na arte, as fórmulas, as ideologias, são sempre as mesmas, o que mudam são as técnicas de produção. Culpa da Indústria Cultural.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Leandro Guilheiro: Orgulho brasileiro

A conquista parece simples aos olhos dos leigos, mas para o atleta, cada segundo é dedicado ao esforço e à busca do impossível. Nossos atletas são verdadeiros heróis, pois em um país em que o incentivo ao esporte é praticamente nulo, cada atleta que consegue uma vitória é digno de ser chamado herói. Aliás, competir em um evento como as olimpíadas já é heroísmo, o que me faz aconselhar a cada brasileiro a dar mais valor ao que nossos atletas conquistam, principalmente em outros esportes, que não o futebol.

Não é digno de a nação brasileira criticar uma medalha de bronze por achá-la inferior. Ser o terceiro lugar entre dezenas de nações desenvolvidas que dedicam à juventude o espaço ao esporte, ao lazer e a educação, é simplesmente divino.

Não acompanho os esportes freqüentemente, mas desde a última olimpíada em Atenas, venho acompanhando um atleta em especial, o judoca Leandro Guilheiro. O bronze de Leandro em 2004 se repetiu agora em 2008.
A carreira de Leandro foi marcada nos últimos meses, por muitas lesões, dores e contusões. Apesar dos desestímulos do destino, Leandro se superou mais uma vez e agora traz mais um orgulho ao Brasil. Um bronze, que vale ouro ao único judoca brasileiro a subir ao pódio em duas olimpíadas consecutivas.

Parabéns a Leandro pela garra, determinação, coragem e pela vitória. Alerta ao Brasil para prestar mais atenção aos atletas e dar mais valor a algo tão relevante para as nações quanto o esporte.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A importância da pesquisa no trabalho de um comunicador social a partir da análise do filme "Obrigado por fumar"

Nick Naylor é um lobista da indústria do fumo; um “agente de pressão” que se vê em uma situação de crise colocada pela mídia e pelo poder público acerca dos prejuízos à saúde causados pelo tabaco. Durante o filme ele tenta influenciar o público com seu poder de persuasão e carisma, chegando a descrever os benefícios da liberdade de poder fumar para os colegas do filho de 12 anos (prováveis futuros consumidores) e defender a indústria do tabaco em um talk show que apresentava o drama de um menino com câncer e abordava a incidência da doença em fumantes.

Toda a crise se inicia pois um senador quer inserir o desenho de uma caveira nos maços de cigarro. Nick contesta dizendo que todos têm liberdade para escolher se querem fumar ou não e que todo fumante já tem consciência dos efeitos do cigarro e não se sentiriam à vontade em ver uma caveira na embalagem.

Através de uma pesquisa, mostra uma das cenas, as personagens discutem que a indústria tabagista vem perdendo uma grande parcela de mercado, sendo esses, consumidores em potencial: os jovens. Utilizaram uma pesquisa de mercado para traçar o perfil do fumante americano, abordando assim tópicos como a porcentagem de fumantes, marca mais consumida, faixa etária a qual pertenciam esses fumantes, etc.

Em um outro momento, Nick, reunido com acionistas da empresa cogita a inserção de cigarros em cenas de filmes de Hollywood, passando uma mensagem subliminar nas cenas interpretadas por atores famosos, o que incentivaria o jovem (mercado principal, porém decadente) a consumir cigarro. Para chegar a essa idéia, o lobista baseou-se em pesquisas antigas que mostravam o aumento do consumo de cigarro pelos americanos ao mesmo tempo em que Hollywood se desenvolvia, relacionando esses dois dados ao fato de que nesses filmes da época havia o uso freqüente de cenas com atores fumando.

Outra pesquisa usada por Naylor é a do número de fumantes nos EUA (cerca de 55 milhões de americanos) o que se mostrou a base para o controle da queda de consumo.
Trabalhando em gerência de crise, campo complexo que necessita de carisma e habilidade, Nick Naylor consegue gerenciar, baseado nas pesquisas acima descritas, a crise interna que havia se instalado em seu trabalho, driblando assim o senador democrata antitabagista e a mídia, mais precisamente a jornalista anti-ética que aproveita-se das informações concedidas por Nick confidencialmente.

Nick Naylor, como lobista, é um intermediador entre a corporação para qual trabalha e o poder público. O poder público por sua vez presta contas ao povo. Seguindo a lógica, o lobista então deve conhecer muito bem o povo, para que possa assim persuadi-lo e convencê-lo de suas propostas e intenções e fazer com que este se declare a favor destes argumentos e causas, desarmando assim o poder público. Para que isso aconteça é fundamental a realização e o uso de pesquisas, pois só assim se pode traçar o perfil do que se deseja conhecer.

Quando se vêem dentro de um grande problema (o garoto propaganda da Malboro contrai câncer após anos fumando), a corporação tenta fazer com que ele não dê declarações contrárias aos interesses da empresa, prejudicando sua imagem e as vendas. Isso se dá pois tal declaração afetaria a opinião do público e o número de fumantes mostrado nas pesquisas poderia cair ainda mais. O marketing é fundamental para a reputação das empresas e ele é feito a partir da análise de pesquisas realizadas com o público pra descobrir qual a melhor forma de lidar com determinadas situações e mercados. A pesquisa então é fundamental para o profissional de Comunicação Social, que trabalha diretamente com o público. O comunicador precisa conhecer as necessidades e opiniões de seu público para que consiga realizar com eficácia seu trabalho com grau de qualidade e nível de satisfação elevado de ambas as partes.

Uma última observação sobre o filme de Jason Reitman é relativa aos freqüentes encontros de Nick com dois amigos, uma representante da indústria de bebidas alcoólicas, e um representante da indústria armamentista, o que acaba por formar um grupo ligeiramente “não politicamente correto”, pois em uma única mesa reúnem-se elementos que geram muita discussão e problemas, tanto para os EUA quanto para os demais países. Em uma cena antológica os três competem com dados estatísticos sobre quantas pessoas seus produtos matam por ano. Nick como um bom defensor de sua empresa gaba-se por ser o tabaco a maior causa dessas mortes, não sendo bebidas e armas páreo para o cigarro. O resto “não é provado, são apenas especulações” como frisa Nick e os tabagistas durante todo o filme.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O valor do desconhecido



Pessoas anônimas, desconhecidas e esquecidas são a matéria prima para as comoventes crônicas/reportagens da jornalista Eliane Brum em “A vida que ninguém vê”


Eliane Brum em seu livro “A vida que ninguém vê”, (Arquipélago, 2006) traz para o público a essência que todo repórter deveria ter em sua profissão: a busca por personagens da rua. Isso significa que o repórter não deve se acomodar às paredes da redação e à pesquisa de matérias na Internet e sim voltar às raízes do jornalismo e sair para a rua na busca de suas personagens.
Publicada durante o ano de 1999 no jornal gaúcho Zero Hora, a coluna A vida que ninguém vê foi uma proposta feita à Eliane por Marcelo Rech, com o objetivo de mostrar ao público as vidas anônimas esquecidas pela grande imprensa. Eliane com um gosto nato por ouvir e contar histórias, aceitou o desafio e semanalmente trazia ao público riograndense a história de vida de pessoas esquecidas, mas que tinham muito a dizer.
Tornou-se inesquecível a saga de Antônio, um excluído da sociedade, vítima da saúde pública que em uma mesma semana enterrou um filho e a esposa, tendo ainda dois rebentos internados. Também inesquecível o sonho de Adaíl, o maleiro do aeroporto de Porto Alegre que desejava muito voar e que graças à matéria de Brum teve seu pedido atendido pela TAM, que o levou até Aparecida onde devia pagar uma promessa . Histórias como a do cativante colecionador das almas sobradas, um senhor que recolhia nas ruas “vidas jogadas fora” e dava novo valor ao que a sociedade considerava lixo, ou ainda o conde decaído, que nos mostrou como pessoas imortalizadas pela história podem cair no triste esquecimento.
Eliane Brum em uma coleção de crônicas-reportagem, revela ao leitor a história do pobre, do deficiente, do louco, do idoso, do excluído. Com um tom literário bastante aguçado que muitas vezes beira o melodrama, A vida que ninguém vê é um alerta para o jornalista e para o público em geral que não vê as mazelas sociais como deveria. O livro tenta demistificar determinados tipos de personagens enxergadas por todos com preconceito, como o mendigo, o pedinte de pernas atrofiadas, o menino favelado paraplégico que luta diariamente para descer e subir o morro onde mora, a mulher negra e deficiente que sonhava em ser professora mesmo com todos os impedimentos, a senhora analfabeta que desde criança sonhava estudar e a divertida Frida com seu amor platônico por um vereador da cidade.
As personagens mostradas pela autora são apenas exemplos, mas levam o leitor a pensar, pois cada um de nós já conheceu pelo menos um exemplar de cada uma dessas personalidades anônimas. Quem não irá lembrar da pequena Camila, pedinte dos faróis gaúchos que morreu na luta pela liberdade, ao dizer a própria Eliane que nós conhecemos e vemos todos os dias muitas Camilas sem ao menos nos darmos conta delas.
As crônicas de Eliane revelam que essas pessoas consideradas sem importância, também possuem uma história de vida e que desejam acima de tudo o respeito de todos que os vêem com desconfiança e a partir daí, poderem ter um final feliz como o de Israel, um anônimo esquecido e miserável que encontrou na bondade e no brilho dos olhos de uma professora, um motivo para viver: a educação.
O livro, reunião de diversas matérias publicadas na coluna do Zero Hora termina com uma história que de alguma forma resume as demais. Trata-se de “O Álbum”, que conta como uma vida inteira pode ser jogada fora e esquecida com descarte de um apanhado de fotografias ao mesmo tempo que ao ser encontrada por uma terceira pessoa, pode-se dar um novo sentido à essa vida perdida. É o que Eliane Brum faz em A vida que ninguém vê, descobrindo histórias descartadas e dando um novo significado a elas. O objetivo maior é mostrar que o ser humano é importante em qualquer grau, não porque é famoso e amante dos holofotes. O ser humano é igual pois tem sentimentos, precisa se sentir importante para alguém como faz o “Chorador” que chora a morte de quem não conhece, para que o morto seja igual a todos ao menos no dia da morte e assim também alguém um dia chore por ele, já que chorou por todos a vida inteira.
Esse é o papel do repórter. Observar, conversar e descobrir as mais fascinantes vidas que estão por aí no mundo, esquecidas por todos. Ricardo Kotscho, que realizou o posfácio da obra de Brum, diz em seu livro “A prática da Reportagem” que lugar de repórter não é em outro lugar senão na rua, pois mesmo sem uma pauta pronta ou nenhuma história aparente para contar, sempre pode-se encontrar as mais brilhantes matérias de sua carreira nos lugares mais inóspitos. Foi assim com Eliane Brum.
Tive a oportunidade de conhecer Eliane Brum em novembro do ano passado, durante o primeiro salão do Jornalista escritor, realizado no Memorial da América Latina. Dividindo o palco com Domingos Meireles e Caco Barcellos, a repórter assumiu sua timidez ao preferir ler sua palestra ao invés de falar. O interessante, é que foi dessa maneira, com simplicidade, humildade e um jeito aparentemente frágil, que ela conquistou naquele dia muitos fãs que desconheciam aquela jornalista singular. Ao ler “A vida que ninguém vê”, me afirmei como uma de suas fãs. A jornalista que faz de tudo para não ser vista, me mostrou que o mais importante da vida está nos esconderijos mais íntimos, dentro de cada um de nós.

sábado, 26 de abril de 2008

As remanências da década perdida


O que restou para os jovens da década que os viu nascer.

Há quase vinte anos do término de uma das décadas mais emblemáticas que o mundo viu, os anos 80 ainda são motivo de dúvidas e desconhecimento para a geração atual, que nasceu neste período.
Definida por muitos como a década perdida, os anos oitenta entraram para a história como uma página “sem muita história para contar e muita história para esquecer”. Segundo o historiador Flávio de Souza, 36, tal afirmação não é verdade.
Docente em Recife (PE), ele diz que o jovem que desconhece o período em que nasceu, acaba por desconhecer e subtrair um pedaço de sua própria história e conseqüentemente de sua vida.
A década de oitenta não foi perdida por muitos fatores. Após um período de dura repressão militar, iniciada com o golpe de 64, a abertura política e a anistia devolveram a esperança àqueles que viveram os anos de chumbo. Como declara a dona de casa Laíde Tereza Toschi, 48, a década de oitenta foi um alívio. Colegial na década de 70, Laíde diz que havia uma sensação terrível de medo na sala de aula devido à repressão militar. “Todos os nossos professores, envolvidos com a causa política, conversavam com a gente sobre a situação do país aos sussurros e de portas trancadas. Muitos professores foram punidos com a ditadura. A abertura em 85 nos trouxe devolta a liberdade e aí começamos a saber de verdade o que foi a barbárie militar”.
Ainda de acordo com Laíde, a mulher ganhou um novo papel na sociedade nos anos 80. Surgiram revistas femininas que tratavam de temáticas tais como liberdade, divórcio, e aborto, antes proibidos pela censura; além de maior liberdade sexual.
Porém com a liberdade sexual surge um novo inimigo, muito conhecido nos dias de hoje pelos jovens: a AIDS. Em 1982 é divulgado o primeiro caso de soro positivo no Brasil. Surgem então inúmeros casos da doença em artistas, ídolos da juventude da época, como alguns atores globais e cantores, como o ícone dos anos oitenta, Cazuza.

Sexo, drogas e Rock and roll
Com o lema “sexo drogas e rock and roll”, diz Laíde, muitos jovens passaram a viver vidas marginais. “O uso de drogas era abusivo, a prevenção no sexo era mínima, o que explicava os altos índices de HIV. A única parte boa desse lema era o rock que se solidificou com artistas que marcaram e se tornaram eternos, como os Titãs, Legião Urbana, Ultrage a Rigor, Blitz, IRA, Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, Ratos de Porão, em uma cena mais alternativa, e Barão Vermelho” que modificaram o cenário da música brasileira, antes dominado pela MPB. A juventude “oitentista” era rebelde. Para a dona de casa, o nascimento do movimento punk, com os Sex Pistols fez essa rebeldia se intensificar. Esse é um mundo registrado em diversos livros destacando-se “feliz ano velho” de Marcelo Rubens Paiva, tradução do jovem de oitenta.
O movimento político, diz Flávio de Souza, foi intenso no período, já que acabara o milagre econômico e restara apenas o desemprego e a estagnação econômica. A revolta emerge, o apoio às causas sindicais, como a de um certo metalúrgico conhecido como “Lula”, se intensifica e a luta pela democracia e as “Diretas já” ganham força. Quem não ganhou foi Lula, as eleições presidenciais de 1989 para o “caçador de marajás”, Fernando Color de Melo; sabotado pela mídia e por ele mesmo.
Destaca ainda o historiador, que nos anos oitenta ocorreram fatos de extrema importância para o Brasil e para o mundo. Além da volta à democracia e dos exilados políticos da ditadura, é promulgada em 1988 a Constituição federal, outro sinal da liberdade instaurada. Foi nessa década que o mundo conheceu seu maior avanço tecnológico; aconteceu o Rock In Rio, a morte de Cazuza e Raul Seixas, a consagração de Ayrton Senna, surgiram os neonazistas conhecidos por Skinheads; intensificou-se a migração nordestina para o sudeste na luta contra a fome e o desemprego; ocorreu o acidente nuclear de Chernobil, o surgimento do MST, a Guerra das Malvinas, Guerra do Irã contra o Iraque, o início do fenômeno Globalização, os Tigres Asiáticos e a queda do Muro de Berlim que pôs fim à Guerra Fria entre EUA e URSS.
Reflexos na atualidade
Como se vê, a década de oitenta foi fundamental para a sociedade em que vivemos hoje. A política, os costumes e principalmente a música sobrevivem na juventude atual que venera os sucessos das bandas de oitenta, sem realizar uma reflexão das letras de Renato Russo, por exemplo, que demonstram todo um grito de liberdade da juventude de outrora.
Dedicados em reunir toda uma década em um único livro, os escritores Luiz André Alzer e Mariana Claudino publicaram em 2004 o “Almanaque dos anos 80” uma reunião de dados que fizeram parte da vida de uma geração considerada perdida, e que há muito, pedia reconhecimento. Essa coletânea reúne desde os brinquedos da época, como o famoso Genius e o boneco Falcon, até os filmes inesquecíveis como “De volta para o futuro” e “Dirty Dance” e séries famosas como “Dalas”, “Anos Incríveis” e “As Panteras”.
Amante dessas séries, filmes e brinquedos e fã incondicional da banda “Velhas Virgens”, sucesso da década de oitenta, o estudante de engenharia civil Daniel Cervatos, 23, diz que por ter nascido nessa década sente-se na obrigação de estar de alguma forma ligado a esse tempo. “Faz parte da minha história, foi a época da juventude dos meus pais, e tudo o que rolou, continuou a existir nos anos 90. Eu brincava muito com o Genius, assistia muito o Chaves e minha irmã era louca pelos Ursinhos Carinhosos e pela Xuxa. Sempre ouvi Titãs, Ultrage, Legião e Cazuza. E são coisas que não morreram, estão aí até hoje. O pessoal da minha idade não se preocupa com a história, estão muito presos ao presente e ao futuro e não se dão conta de que tudo o que desfrutam hoje é resultado da luta das gerações passadas”. Cervatos diz que seus pais são nostálgicos puros, especialmente sua mãe que não enjoa de ouvir o velho vinil do álbum “Thriller” de Michael Jackson. Por isso os levou há alguns meses à uma casa noturna em São Paulo e que depois passou a freqüentar, pois descobriu um pedaço de sua vida desconhecido e perdido em algum lugar da história. A “Trash 80”, localizada no centro da cidade é dedicada exclusivamente ao cenário e a musicalidade dos anos oitenta. De quinta à sábado aquele pequeno pedaço do centro volta ao passado, com um clima trash e músicas pop, rock, infantis e todos os hits classificados por eles como “cafonas”.
Cafonas ou não, essas pequenas remanências não deixam essa década tão importante e cheia de histórias pra contar, morrer. E dessa forma, continuam mostrando aos jovens, que os anos 80 não foram a década perdida, mas uma década sedenta por ser encontrada.

Horto Florestal: O verde na Selva de Pedra

Desconhecido da maioria dos brasileiros, o Horto Florestal esconde histórias e maravilhas naturais em uma área cercada pelo concreto da capital paulista.

Arthur Cezar Santinella, Relações Públicas do Horto e morador da reserva há quatorze anos, explica a diversidade de opções de lazer do local que chega a receber dois milhões de pessoas por semana. Foi fundado há mais de um século por um naturalista sueco, que desejava construir uma reserva ambiental na região da Luz e impedido, encontrou e apaixonou-se pela área de mais de 170.000 alqueires, localizada na zona norte de São Paulo, próximo à Serra da Cantareira.

O Horto oferece trilhas ecológicas como a “Trilha dos Arboretos”, onde se encontra árvores para estudos científicos; espécies vegetais raras como o pau-brasil; fontes de água mineral; diversas espécies animais, cursos de ginástica, coral e ioga para a terceira idade; a casa de verão do Governador do Estado, que já recebeu figuras como Fidel Castro e autoridades de todo o estado, quando ocorreram os atentados de 11 de setembro nos EUA e eventos esporádicos como os que ocorreram no dia 23/06 com apresentação de grupos musicais e realização de exames contra o diabetes.

Além disso, existe no local, o Museu Florestal Otávio Weck, salvo pelo ex-governador Mário Covas de ser desativado e transformado em área administrativa. O museu conserva o maior acervo de madeiras da América Latina e é aberto para artistas ou aspirantes fazerem suas exposições, gratuitamente.

O Horto Florestal, nos revela Arthur, guarda muitas curiosidades, como o monumento que marca o local exato da passagem do Trópico de Capricórnio; a utilização do parque para a gravação de filmes e novelas; a estrada por onde um dia caminhou Albert Einstein; uma área no meio da floresta aonde foi erguido um altar para a realização de missas; o funcionário público mais velho do mundo, Luís Fernando, que consta no livro dos recordes com 71 anos de profissão e a visitação por representantes do governo japonês após a queda da bomba de Hiroshima em 1945, na tentativa de reflorestar o Japão .
Apesar disso, o Horto Florestal continua praticamente anônimo, sendo preterido pelo Parque do Ibirapuera.

Construído para a preservação da água por decreto de D. Pedro II a reserva transformou-se em um paradoxo dentro da cidade de São Paulo. No Brasil onde o desmatamento cresce a cada dia, a cidade que mais degradou a natureza para substitui-la por concreto, também é a que possui a maior reserva urbana preservada do planeta

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A nova Vida do Carandiru

Cinco anos depois de ser demolido, o presídio do Carandiru transforma-se em fonte de educação e lazer

Antigo complexo penitenciário, o Carandiru hoje abriga além de uma FATEC e uma ETESP, o Parque da Juventude, que fizeram renascer o local marcado pela violência e pelos fantasmas do passado.

Desativado em 2003, o Carandiru tenta desde então apagar sua marca de violência, dando lugar à educação, com escola e faculdade técnicas, à cultura, com teatro, biblioteca e cinema e o Parque da Juventude, que conta com quadras poliesportivas, pistas de skate, playground, trilhas e muito verde.

Trabalhando há dois ano e meio no parque, a auxiliar de limpeza Marilene Francisca Oliveira Silva, 50, compara o ambiente da região antes e depois do parque. Moradora do bairro Carandiru há 25 anos, Marilene relembra momentos da época do presídio em que os presos acenavam e jogavam bilhetes aos moradores em um ato explícito de solidão.

A auxiliar que teve há dez anos um amigo morto dentro do presídio, condenado por estupro (crime repudiado pelos condenados), não esquece das rebeliões e dos tiros, principalmente do massacre de 1992, que deixou 111 mortos. Para ela, o parque deu uma nova vida ao bairro, já que no lugar dos tiros, ouve-se agora a alegria das crianças brincando.

Os aposentados Cláudio Tomás e Flora Ferri que visitaram o espaço pela primeira vez no dia 24/06/07 e acompanhavam a diversão dos dois netos, destacaram os benefícios trazidos à população com a criação do parque, inclusive em sua utilização por deficientes em sessões de fisioterapia.

Um desses casos é o de Luciano Nunes do Nascimento de 29 anos. Cursando o 7° Semestre de Psicologia no Mackenzie e com deficiência na fala e locomoção, o estudante, apoiado em um andador, caminha por todo o parque sem parecer cansar-se, e ainda brinca: “Não preciso de fisioterapeuta, sei me virar sozinho”.

Acusado de construí-lo como estratégia eleitoral e com o fim de valorizar os imóveis da região, o Governo do Estado tem o parque como ato simbólico para que o local deixe de ser lembrado como sinônimo de violência. O parque emprega mais de 40 funcionários e recebe centenas de pessoas todas as semanas, transformando-se em local de lazer e gerador de empregos.

Fica claro que os vestígios de degradação humana e violação dos direitos humanos estão sendo definitivamente, e para sempre, enterrados.

Pulga atrás da Orelha

No escritório, fim de expediente
Mas o cara logo sente uma coceira
É a pulga atrás da orelha
Salário é baixo mas todo dia tem serão

O operário lá na obra fica naquela
Acha que está sendo chifrado
Todo dia janta pão com mortadela
E o vizinho anda tão bem alimentado. Ê pulga!!!

Pulga atrás da orelha da namorada
que liga para o namorado
celular tá desligado
Será que ele foi mesmo estudar?

Pulga atrás da orelha do deputado que pode ser cassado
“Será que a sessão vai demorar?”
Assim questiona-se a pulga
A pizza vai esfriar

Pulga atrás da orelha do dono do bar
O bêbado bebe a sétima dose
E a cara do cara
É de quem não vai pagar

Pulga atrás da orelha
de quem ouve atrás da porta
aproveita pra bater
um papo com o cupim

Pulga atrás da orelha do presidente da República
Taxa de Juros, Saúde, Inflação, o Bush...
São tantos problemas e até a pulguinha resolve reclamar:
“- Pô ! Eu também tenho família pra criar!!!”

Pulga atrás da orelha da dona de casa que vai ao supermercado
“- Preços altos... Um absurdo!”
A batata, lá em cima, e o chuchu sobe desce,
Sobe, desce,

Sobe, desce, pula e cai
No estádio de futebol
Pulga atrás da orelha do torcedor
Momentos de tensão...

É Gol!!!!!!!!!!!!!!!

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Espaço para divulgação dos meus textos, idéias e afins que venham a surgir durante o exercício de minha futura profissão...