quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Correspondente de guerra: a rotina da cobertura no front

Por Lilia Diniz em 15/09/2011 na edição 659 (Observatório da Imprensa)


Uma aura de glamour acompanha o trabalho de correspondente de guerra desde que o primeiro jornalista foi enviado a um campo de batalha para relatar seus horrores. Na guerra da Criméia, em 1854, William Howard Russel, do jornal The Times, mandava seus despachos via telégrafo. Um século e meio depois, as notícias se propagam em tempo real. E mesmo quem não é jornalista profissional pode ser convertido em porta-voz de informações.

Trabalhar em zonas conflagradas para mostrar ao mundo as atrocidades de um conflito armado é encarado como o lado mais romântico da profissão, mas o cotidiano daqueles que estão no front é bem diferente. O correspondente de guerra ganha fama e visibilidade, no entanto, a rotina é dura e os perigos, constantes. O Observatório da Imprensa exibido ao vivo pela TV Brasil na terça-feira (13/09) discutiu o encanto que esta atividade exerce no cidadão comum e entre os jovens jornalistas.

Alberto Dines recebeu três jornalistas com larga experiência em cobertura de conflitos. Em São Paulo, oObservatório contou com a presença de Leão Serva e Samy Adghirni. Professor e escritor, Serva foi correspondente na Bósnia, Angola, Somália e Kuait. Trabalhou na Folha de S.Paulo, criou o site Último Segundo e foi o responsável pela recente mudança editorial do jornal Diário de S. Paulo. Adghirni é repórter da editoria Mundo da Folha de S.Paulo. Especialista em assuntos de Oriente Médio e política externa, passou parte deste ano cobrindo a Primavera Árabe. Esteve no Egito, na Tunísia e na Líbia. Já esteve no Irã, Iraque, Iêmen, Israel e outros países. No Rio de Janeiro, o convidado foi Antonio Scorza, fotógrafo da Agência France Presse há vinte e cinco anos. Scorza cobriu inúmeras rebeliões, eleições, posses presidenciais na América Latina, entre outros eventos.

Em editorial, Dines avaliou que a grande quantidade de conflitos bélicos e a facilidade para cobri-los levou à ilusão de que “o correspondente de guerra é o único que na redação tem oportunidade para viver grandes aventuras e bravuras”. Para ele, a defesa da sociedade contra o narcotráfico pode exigir mais bravura do que o campo de batalha. “Pouco adianta mostrar ao público tanques em chamas, guerreiros correndo com armas na mão, metralhadoras pipocando, jatos em voos rasantes, feridos pedindo ajuda, mães chorando. O leitor, ouvinte ou telespectador, antes de tudo, quer saber por que os homens estão se matando em vez de sentar para negociar. Cobrir guerras não é o lado mais empolgante do jornalismo. Explicar contenciosos e, sobretudo, não alimentar rancores é missão muito mais heroica. E só jornalistas podem desempenhá-la”, sublinhou o jornalista.

Guerras cotidianas

A reportagem produzida pelo Observatório mostrou a opinião de jornalistas que atuam nesta área. Para o correspondente Silio Boccanera, que já cobriu seis conflitos, não há glamour em coberturas de guerra. O risco nesta situação não é muito maior do que a cobertura da violência urbana e o narcotráfico nas grandes cidades brasileiras. “Em uma guerra, é claro, os jornalistas enfrentam calibres mais elevados. Mas, que diferença faz morrer sob um bombardeio aéreo do que com um tiro de 45? ‘Coragem para fazer a cobertura de guerra’, é o que dizem as pessoas. Na verdade, a palavra que descreve melhor a situação é medo porque quem não sente medo não faz o trabalho direito em uma cobertura de guerra. É o que dá a distância, a dimensão entre o que é possível fazer e o que não passa de imprudência”, avaliou Boccanera.

Os “louros” em um campo de batalha costumam ir para os repórteres que assinam as matérias e “botam a cara no vídeo”, mas, na opinião de Boccanera, devem ir para os cinegrafistas e fotógrafos. “Eles, sim, não podem ficar mandando notícias longe da ação, no conforto de um hotel, usando um laptop. São eles que têm que chegar perto dos tiros, dos combates. E só assim conseguem as imagens que correm o mundo. A eles, portanto, todo o crédito que merecem como verdadeiros correspondentes de guerra”.

Para a correspondente Deborah Berlinck, a cobertura de guerra é sempre arriscada, mas o risco pode ser calculado. Fotógrafos e cinegrafistas são considerados “kamikazes” porque precisam estar no front. “Se jogam em um tanque junto com os beligerantes, acompanham a ação e, praticamente, lutam sem armas”, detalhou. Com a experiência de quem cobriu vários conflitos, Deborah ressaltou que há limites na busca pela notícia. “Um jornalista morto não serve para grande coisa. O grande desafio da cobertura de uma guerra é você conseguir sobreviver para contar tudo o que viu”.

Rotina árdua

A logística da cobertura da guerra não é glamourosa. Na recente cobertura do conflito na Líbia, a jornalista passou cerca de duas semanas tomando banho com garrafas de água mineral em uma região onde a temperatura beirava os 40 graus. E, por ser mulher em um país de maioria muçulmana, precisava cobrir os braços e a cabeça. “A cobertura de uma guerra é sempre fascinante, mas não é uma cobertura para amadores”, sublinhou Deborah.

Há algumas semanas, Diego Escosteguy, repórter da revista Época, viveu momentos de grande perigo. O jornalista estava em Trípoli, na Líbia, quando as forças rebeldes tomaram o poder. “O jornalista, neste momento, como era o meu caso, se tornam um civil. Ele pode ser atingido tanto por uma bomba da OTAN, quanto por tiros do Kadaffi, quanto por rajadas dos rebeldes”, explicou. O jornalista ponderou que a parte mais dura da cobertura é acompanhar o sofrimento da população civil. “Se existe algo que prescinde de quixotismo e de romantismo, é uma situação de guerra”, disse o correspondente.

Os filmes e livros de ficção, na opinião do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, costumam mostrar o correspondente de guerra como uma figura heróica, mas, na prática, é uma atividade sacrificada. “As pessoas são obrigadas a passar por situações de extremo desconforto e muitas vezes de grande perigo, inclusive com risco de perder a vida. Eu acho que muita gente idealiza a condição de correspondente de guerra quando, de fato, ela é uma atividade bastante difícil de ser exercida”, ponderou.

Entre grades

Andrei Netto, repórter de O Estado de S.Paulo, ficou preso na Líbia, incomunicável, por mais de uma semana. O jornalista contou que o momento da prisão foi assustador. “Cerca de seis horas depois da prisão, nós fomos levados à unidade de serviço secreto líbio e teve início um novo momento, que durou oito dias. Foram momentos muito angustiantes porque eu estava incomunicável e amigos, família, colegas e trabalho pensaram o pior, que eu podia ter morrido durante a cobertura”. O correspondente era ameaçado de morte constantemente.

No debate ao vivo, Dines comentou que os jornais investem altas somas de dinheiro para enviar correspondentes aos locais de conflito, mas, no dia a dia, a cobertura internacional tem espaço limitado nos jornais. Para Leão Serva, há um forte aspecto de marketing ao enviar correspondentes para o front. “Custa muito dinheiro, mas dá também muita repercussão. Faz bem ao jornal tem um correspondente, um enviado especial em um conflito que está no centro das atenções”, destacou.

Em momentos críticos, falta contextualização maior dos fatos, na opinião de Serva. No recente conflito na Líbia, por exemplo, a imprensa tratou o caso com maniqueísmo, opondo o “ditador” Kadaffi aos “libertários”, quando, na verdade, o conflito era mais complexo porque envolve a unificação de três países diferentes. “Isso não apareceu na cobertura da mídia brasileira com a frequência que deveria”, criticou o jornalista.

O trabalho em meio ao caos

Na avaliação de Antonio Scorza, a mística da atividade está “nos olhos de quem vê” porque, na prática, o trabalho é árduo. “Não existe glamour na guerra. Existe o perigo constante, existem injustiças pulando em seus olhos o tempo todo, existe você ver a morte acontecendo. E existe o instinto de sobrevivência porque você foi voluntário, mas tem que voltar vivo porque não há matéria que valha uma vida. E, se você não volta vivo, também não conta a história”, disse Scorza.

O correspondente da France Presse contou que, durante o trabalho no Iraque, buscou registrar não só as cenas bélicas, como também o cotidiano de um país invadido. “Eles mantinham o mercado funcionando, o artesão continuava fazendo as suas peças de cobre. Os soldados passando e tendo uma influência política e sendo os novos donos do país. E no meio de uma cidade onde você via os cabos de telefone soltos na rua, os tanques de guerra americanos passando por cima das calçadas e mulheres com crianças pulando porque não se respeitava nada e os buracos feitos pelas bombas nos edifícios. Só este cenário é muito violento”, relembrou.

Para Samy Adghirni, é importante haver um equilíbrio entre o tempo que o correspondente fica na redação, monitorando o trabalho das agências de notícias e das redes de televisão à distância, e o trabalho no campo de batalha. Sem este acompanhamento, o jornalista chega ao front com pouca base para interpretar os acontecimentos com profundidade. “Essas ferramentas teóricas têm que ser transformadas em produção de reportagem sob tensão, em um clima hostil, em um ambiente muito perigoso. Eu conheci, ao longo destas coberturas, gente que está há 20, 30 anos nesse tipo de cobertura de conflitos. Gente que não tem base. Eu tenho uma base, que é São Paulo”, sublinhou Adghirni. Enquanto está na redação, o jornalista produz reportagens mais analíticas. “É muito importante a gente poder ver de perto essas coberturas porque, infelizmente, no jornalismo brasileiro não é uma tradição ter sempre alguém no front”, avaliou.

Outros olhares

Adghirni vê com otimismo o fato de não só a chamada grande mídia brasileira enviar profissionais para a cobertura de guerra. Cada vez mais jornais regionais e canais de televisão de menor porte investem em enviar profissionais para os conflitos. “Nada substitui o olhar do jornalista in loco”, defendeu o repórter. Adghirni contou que grandes redes de TV e agências de notícias, como Al Jazeera, CNN e Reuters, chegam aos locais conflagrados com equipes de até 20 profissionais e levam “malas” de dinheiro para ser investido na cobertura. Como não é possível competir com esta estrutura, o olhar dos correspondentes brasileiros deve procurar uma linha de raciocínio diferenciada para trazer informações exclusivas.

Dines perguntou como evitar que possíveis empatias com um dos lados do conflito afetem o trabalho de um correspondente de guerra. Leão Serva disse que há uma natural simpatia pelas vítimas civis. “É também uma forma de denunciar os males em qualquer conflito armado. Em relação às partes envolvidas na guerra, esse é, de fato, o principal desafio do jornalismo. Porque, invariavelmente, não se trata de um maniqueísmo de mocinho contra bandido”, ponderou. O jornalista observou que, muitas vezes, a imprensa brasileira adota este viés na cobertura
.

A Velha Guerra

Luiz Fernando Veríssimo


Goethe teve um romance passageiro com a Revolução Francesa, que liberou mais demônios do que ele estava disposto a aceitar. Vem daí sua famosa declaração de que preferia a injustiça à desordem. Goya foi um entusiasta de primeira hora de Napoleão, mas horrorizou-se com as atrocidades da guerra na Espanha, que retratou com ácido e asco na sua série de gravuras Desastres de la Guerra. Acabou desencantado também.

Mas o desencanto de Goethe e Goya não é o mesmo dos que lamentaram o fim da velha ordem, para os quais a Revolução Francesa significou não a derrota do despotismo e da injustiça, mas um crime contra a natureza do homem.


Confundir ordem e normalidade com seus próprios privilégios é um velho hábito de castas dominantes. Na literatura da contrarrevolução, tão vasta e influente quanto a literatura da revolução, o que aconteceu na França dos Bourbons foi uma segunda Queda do Homem, uma segunda perda do Paraíso. Só quem tinha vivido antes da revolução – outra frase famosa – conhecia as delícias da vida. Delícias que incluíam não apenas os privilégios do absolutismo, mas do mundo como ele devia ser, com todas as suas injustiças naturais.

A Revolução Russa também provocou dois tipos de reação, a do desencanto com seus excessos e descaminhos depois da empolgação inicial, como o de Goethe e Goya com a Revolução Francesa, e a dos que a condenaram desde o princípio como antinatural. E também provocou dois tipos de literatura. Se todos os que acham que liberdade, fraternidade e igualdade é um slogan ainda aproveitável são filhos da antiga retórica da revolução, os reacionários de hoje são filhos da antiga retórica da restauração, mesmo que o vocabulário tenha mudado. Para estes, o fracasso do comunismo soviético na prática representou o fim do ideal iluminista e a recuperação do homem natural.


A celebração do “bom senso” neoliberal contra a “falácia da compaixão”, como a descreveu alguém, significa mais um triunfo reacionário na velha guerra. E estamos de volta ao delicioso paraíso do egoísmo sem culpa e das injustiças naturais sem remédio.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Cavalo Branco



A princesa se encontrava
Envolvida pelo pranto
Ela tanto suspirava
Que quebrou todo o encanto

O seu príncipe encantado
Que sofrera um feitiço
Vinha em um cavalo branco
"Que tamanho desperdício!"

"Essa coisa de cavalo
Já não é mais do meu tempo!"
E a princesa no embalo
Foi correndo contra o vento

E o príncipe perdido
Sem saber o que fazer
Foi atrás da princesinha
Tinha medo de perder
.
A princesa tão rebelde
E o príncipe audaz
Agora curtem punk rock
Pelas ruas lá do Brás

Em um carro conversível
Mil cavalos, tudo mais
Um romance bem possível
E moderno até demais

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Corro vazio...

Um dia, meu valor,
que tu não vês,
será como água cristalina
aos olhos teus.

Torça, entretanto,
para que eu já não tenha
partido com a correnteza...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Et-cé-te-ra

Esgotadas as possibilidades
Passei a viver o Etcétera...

O que é o poema

Poemas são famílias de palavras sem mãe
Dou-lhes abrigo
Abandonadas as palavras
adoto, escrevo e respiro poesia

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Queda d'água

A vida se compara à água.
Água é água em qualquer lugar...
mas a intensidade da água em uma cachoeira
não se compara à intensidade da água em um conta-gotas!!!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Entre o mundo e o amor...

"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor... Lembre-se: se escolher o mundo, ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo!"

Albert Einstein

terça-feira, 16 de março de 2010

A palavra não escolhe qualquer um...



E quem é aquele, senão o jornalista que tem, como que por encanto o dom...
da palavra!?!?!

sábado, 13 de março de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

Jornalismo para Homer Simpson segundo William Bonner





E o Oscar de Avatar vai para... Pandora!!!

Depois de tanta especulação, James Cameron não conseguiu triunfar seu faraônico filme Avatar como favorito da Academia assim como foi com a crítica e o público que garantiu ao longa 3D a maior arrecadação em bilheteria da história do cinema, superando até Titanic também dirigido por Cameron.

Guerra ao Terror, dirigido por Kathryn Bigelow, ex mulher de Cameron, foi o grande vencedor do ano, com seis estatuetas. Lançado primeiramente em DVD e visto com desconfiança pelos festivais, a história de um grupo de soldados na Guerra do Iraque conquistou a academia. Ou será que não?
Enquanto Avatar coloca os EUA como os poderosos vilões que destroem a natureza e a linda atmosfera de Pandora, Guerra ao Terror vangloria a "braveza" e a "coragem" de soldados americanos que arriscam sua vida em nome da nação.

Constato assim que a preferência da Academia por Guerra ao Terror em relação à Avatar é mais uma questão política do que cinematográfica. Os americanos precisam sempre afirmar-se como nação. Ninguém pode ofuscar o brio americano. Nem mesmo James Cameron.

sábado, 26 de dezembro de 2009

David Garrett - Violino

Estou me apaixonando pelo violino!!!

David Garrett é simplesmente fenomenal!!!

Arroubos - Adriana Falcão

Texto adorável de Adriana Falcão sobre a paixão. Vale a pena ler!!

"Paixões passam.
Há quem procure entender essa transitoriedade de várias maneiras. Inclusive através da fisiologia: “Paixões são resultados de reações químicas produzidas no cérebro.” Os que pensam assim costumam explicar o funcionamento dos neurotransmissores, e citar o efeito de uma série de substâncias, tais quais “dopamina”, “ocitocina” e “norepinefrina”, como prova da inexistência do Cupido. Existem estudos aprofundados acerca dessas teorias. Alguns chegam a estabelecer as condições ideais para o surgimento da paixão, ou até mesmo seu prazo de validade. Um desses, em especial, vindo de uma universidade americana, pretende comprovar que os seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante um período que pode ir de 18 a 30 meses – tempo hábil para um casal se conhecer e produzir o que a natureza espera deles, a perpetuação da espécie: uma criança.
Há também os que procuram negar o caráter passageiro das paixões. São os donos das almas mais românticas, ou mais teimosas. Para esses, o exemplo de um casal de velhinhos que ainda se ama depois de 50 anos de casados é uma prova inconteste de que as paixões podem ser eternas.
Mas há ainda quem conteste essa prova, argumentando que o casal de velhinhos, por mais feliz e amoroso que seja, não é exatamente “apaixonado”. “Ele ainda vomita de nervoso porque vai encontrá-la na cozinha?” “Ela é capaz de passar a manhã num salão de beleza, e a tarde lendo Proust, apenas para impressioná-lo no jantar?” (* Paixão – sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão – Aurélio Buarque de Holanda).
Enfim, há todo tipo de gente nesse mundo, e muitas correntes de pensamento, mas o fato é que, pelo visto, e absolutamente contra a minha vontade, parece que as paixões, do tipo “paixão enlouquecida”, passam mesmo.
E, então, cada qual tem seu destino.
Algumas se transformam em outro sentimento – amor, afeto, desprezo, ódio, obsessão, amizade – e, aí sim, podem durar anos, às vezes até uma vida inteira.
Outras vão habitar o mundo das paixões que simplesmente passaram e pronto.
São as que foram efêmeras, não tiveram consequência, não surtiram efeito, não alcançaram êxito, não viraram romances nem causaram estragos. Provocaram promessas, arrepios, frios na barriga, alegrias e agonias, enquanto cumpriram sua existência, mas estiveram apenas de passagem. E, se estiveram de passagem, pode-se deduzir que seguiram para algum lugar. Que lugar seria esse?
Imagine-se um castelo de contos de fadas. Não, ele não fica na Disney, mas numa outra dimensão, inatingível à percepção humana. Como acontece em viagens extrassensoriais e filmes de ficção científica. “O castelo das paixões que passaram.” Ali elas vivem. Pode ser que se orgulhem de sua competência, de sua carreira e de seu passado. Pode ser que se sintam complexadas ou impregnadas de amargura, como alguém que foi aposentado contra sua própria vontade. Pode ser que continuem ardendo e sofram com isso.
Eu gosto de imaginar que as paixões que passaram se transformaram em véus. E que uma ventania que ainda está por vir um dia espalhará esses milhões de véus pelo mundo. E que vai ser muito divertido viver no meio de um mundo de gente ensandecida, atordoada de paixão, por tudo quanto é lado."

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dos triunfos...

Fernanda no país das Maravilhas

Vivo no mundo de Alice.
Incansavelmente corro atrás de um coelho branco que de mim corre, que de mim foge.

Sem saber até quando e por que essa busca, essa procura... persisto.

Um triunfo distante de minha alma sem propósito...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Livreiro

Descobri uma maravilha. Dizem por aí que a Internet será o fim definitivo dos livros. Ledo engano.

Lendo a Revista da Cultura do mês de outubro, que peguei durante mais uma peregrinação por uma das mais fascinantes livrarias do país, encontrei uma matéria entitulada "A leitura do próximo" de Rachel Costa. Ali, foi apresentada uma nova rede social feita para amantes da leitura. Ainda em fase experimental, 'O Livreiro' é um site onde podemos encontrar pessoas com os mesmos gostos literários, montar nossa estante virtual de livros, emprestar, trocar e comprar obras. Um mundo divertido e educativo que também servirá como uma grande ferramenta de incentivo à leitura.

Nem acabei de ler a matéria e me cadastrei no site. Estou agora montando minha estante de livros, puxando pela memória as centenas de livros e autores que descobri ao longo de minha vida. Está valendo a pena!!!

A partir de agora meu tempo em redes sociais vai aumentar. Além de orkut, MSN, Twitter, Facebook, My Space e o blog, também me dedicarei ao livreiro!!! Te encontro lá. Até mais!!!

www.olivreiro.com.br

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Palavras soltas no ar, presas em meu pensamento!!!

Estou construindo um poema. Como é difícil achar as palavras. Acredito que na verdade as palavras é quem devem nos encontrar.
Grandes poetas da humanidade, demoravam muitas vezes anos para terminar uma poesia. Às vezes nem chegavam a termina-la, pois a morte chegava antes da palavra...
As vezes elas nos fogem quando precisamos primordialmente dizer alguma coisa a alguem. E nessas horas,bem nessas horas elas desaparecem. De vez enquando as palavras se escondem!
As palavras tem poder, e são conscientes desse poder, por isso fazem de nós o que bem entendem.
Como jornalista dependo muito da palavra. As palavras são caprichosas e não se misturam com qualquer outra palavra. Se não estão em harmonia, as palavras brigam entre si e quem sofre são nossos ouvidos. As palavras não dizem. As palavras soam. Soam e cassoam de nós.
Continuo olhando para meu projeto de poesia, meu projeto inacabado.
Uma hora vou ter que deixa-lo, esteja como estiver. Herbert Vianna ja nos disse: É como na música. As músicas não são terminadas, as músicas são abandonadas, pois prontas jamais ficarão!!!

sábado, 22 de agosto de 2009

Estou voltando...

O ser humano é naturalmente ativo. Meus últimos meses, considero, foram excessivamente ativos, me obrigando, entre outras coisas, abandonar o blog.

Neste tempo, de abril até agora, muita coisa aconteceu, na minha vida, no Brasil e no mundo!

Muitas histórias pro jornalismo desbravar!!

Estou voltando aos poucos... Agora além do orkut, msn e este blog, faço parte do twitter. Mais um ótimo meio para treinar a escrita jornalística! O melhor de tudo é que no twitter posso aprimorar o dom da edição. Os caractéres são pouquíssimos. Mas isso é ótimo!

Toda vez que sentir uma vontade incontrolável de escrever bastante... corro pra cá, em meu velho e querido blog. Estou definitivamente me transformando em uma pessoa cibernética!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Pará, terra de ninguém

O Brasil ainda sofre com os abusos do coronelismo no norte e nordeste do país, que apavoram a população e findam a vida de quem luta por justiça. O caso mais comentado dos últimos anos e que chocou o país, devido à brutalidade e desumanidade, foi o assassinato da missionária estadunidense Dorothy Stang, que voltou às páginas dos jornais esta semana, com a anulação do júri que inocentou o acusado de ser o mandante da execução da freira.

Como se estivéssemos vivendo no sistema pré-colonial de Capitanias Hereditárias, somos obrigados a nos submeter aos mandos e desmandos das famílias poderosas de políticos e fazendeiros que fazem parte da minoria da população que detém a maior parte das riquezas deste país.

Dando continuidade à triste saga de pessoas que lutam para por fim às gananciosas ações destes capitães donatários, que já fizeram vítimas como Chico Mendes e Irmã Dorothy, os missionários que protestam contra as ações de fazendeiros que incluem grilagem de terras, destruição de áreas ambientais, ameaças a moradores, atentados e homicídios, são pressionados a ficarem calados ou receberem como retribuição aos protestos, a morte.

A situação de estados como o Pará, onde a questão da violência é extremamente delicada, é agravada pelo descaso ou jogo de interesses do governo brasileiro. Se em estados como o Rio e São Paulo a violência assusta devido à bandidagem que mantém o grande mercado do tráfico de drogas, o Pará sofre com o prevalecimento do descaso e do medo causado pelo grande mercado do jogo de interesses e troca de favores entre as famílias de políticos e as famílias de latifundiários.

O caso da missionária Dorothy Stang, que causa tanta revolta cada vez que o assunto vem à tona, traz consigo o inconformismo de uma população cansada de tanta impunidade, quando quem senta no banco dos réus é alguém de influência, apto a comprar quem quer que seja. A impressão que nos é passada é que o adágio “todo mundo tem um preço” é mais que válida na falsa “Justiça” brasileira.

Esta semana, foi anulado o júri que absolveu o algoz de Irmã Dorothy, o fazendeiro paraense Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como Bida. Depois de ser preso e absolto, o acusado do assassinato da missionária voltou à cidade do crime em Anapu (Oeste do Pará), onde segundo a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e o Ministério Público Federal, negociou, durante os onze meses em que esteve em liberdade, a compra de lotes de terra de ex-assentados da região, pressionando os moradores e lhes fazendo ameaças. Como não se apresentou à polícia, Bida é tido como foragido.

Os parentes e amigos de Dorothy Stang comemoraram a decisão da justiça brasileira em reabrir o caso da missionária morta a queima roupa com seis tiros em 2005. A Justiça no Brasil, assim como a política, é uma piada, que zomba da dignidade do pobre, do cidadão, do povo. Com o caso de irmã Dorothy reaberto, vamos esperar se dessa vez o Pará e o Brasil irão realmente ver a esperança vencer o medo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Das utopias

**Feliz de mim que possuo utopias, pois o dia em que perdê-las já não terei motivos para viver**